domingo, 29 de julho de 2012

O boiadeiro e o caminhão

Hoje já faz alguns  anos
 Que não tenho mais profissão
O trabalho que eu fazia
Hoje quem faz é o caminhão
Ainda menino aprendi
Com o meu pai a profissão
A profissão de boiadeiro
Que com orgulho eu fazia
Com a profissão aprendi
A ser um homem verdadeiro 

Mais o pregresso aqui chegou
E no meu peito, só saudade deixou
 E o velho boiadeiro
 Hoje é profissão em extinção
Hoje as velhas estradas boiadeira
Não tem mais o poeirão
Que a boiada levantava
Batendo  com as patas  no chão
Hoje aquelas estradas
Estão todas asfaltadas
E se chamam rodovia

Aquele som tão bonito
Que do berrante se ouvia
Foi trocado pelo ronco dos motores
Dos modernos caminhões
Hoje em dia quando vejo
Passando na rodovia
Aquele caminhão de boi
Meu corpo todo se arrepia
E eu fico só olhando a boiada
Sendo levada por aquele caminhão


E nessa hora meu coração chora
Chora de saudade aqui dentro do peito
E eu fico me lembrando
Que outrora, quem levava era eu
Montado no meu cavalo alazão
Eu e outros boiadeiros
Companheiros de profissão
Em comitiva agente ia
Cortando o velho estradão
Deixando pra trás só o poeirão

Hoje sem profissão
E sem saber lidar com as letras
Vou vivendo com aquilo
Que a vida me oferece
Pra um homem que foi do campo
Nunca que ele se acostuma
Com as coisas da cidade
E daquela vidinha do campo
Ele nunca que se esquece
 E assim aos poucos ele padece

Autor: Geraldopsouza
Registro:22836827d120804h202830_m1 


sexta-feira, 20 de julho de 2012

Nem se quer restou saudade

Depois de tantos anos juntos
Duas vidas em comum
Trocas de confidencias
Confissões, juras de amor
Dois amantes geminados
Dois corações apaixonados
Assim era o nosso amor

Mas com o tempo os anos foram passando
E nós nos acostumando
Quase virando irmãos
E aquele sentimento de amor
Aos poucos se acabando
E quando acordamos
Aquele amor que era tão grande
Já não era mais amor

Aquele amor, com a rotina
De um dia após o outro
De uma vida repetitiva, deu lugar pra amizade
E daquele amor só restou saudade
Nossa relação na cama
Já não tinha mais prazer
Fazia-se por fazer
Talvez só pra cumprir obrigação

Nossos corpos frios
Já não tinha mais calor
E em nós um silêncio, um vazio
Um beijo frio sem sabor
Aquela mulher sempre arrumada
Que ficava a me esperar toda cheirosa
Já não me esperava mais
Aquele abraço na chegada
Já não me abraçava mais

Eu saía do trabalho
Sem vontade de voltar pra casa
Só chegava lá pras madrugada
Sempre com a barba por fazer
Não tinha nem mais vontade de viver
Aquela vida a dois
Hoje estamos separados
Cada um foi pro seu lado
E do início, toda aquela felicidade
Hoje não existe nem mais amizade
De tudo aquilo nem sequer restou saudade


  Autor: Geraldopsouza
22836825d120713h162920_m1

Não saia por esta porta

Não sei mais o que posso fazer
Pra te convencer a não ir
E ficar por aqui
Por favor, não se vá
Preciso de você perto de mim
Não me deixe assim

Pense um pouco antes de dizer a Deus
Não saia por esta porta
Não se despeça de mim
Preciso tanto de você aqui
Não abra uma ferida no meu coração
Pois uma ferida pode me matar de solidão

Depois de tanto me humilhar
Em te pedir para ficar
Se mesmo assim você se for
Eu não vou mais te pedir pra voltar
Amanhã se você voltar arrependida
Com uma cara de sofrida

Só para eu ter pena de ti
Já vai ser tarde de mais
Pois você poderá encontrar
 Outra em seu lugar
Só outra pra me fazer te esquecer
Não me queira mal, a fila anda.


  Autor: Geraldopsouza
Registro: 22836826d120713h163022_m1

Só amiga

Mais uma vez me enganei
Mais uma vez embaralhei
Tudo dentro da minha cabeça
Mais uma vez me apaixonei
Por uma pessoa amiga
É que o meu coração
 coitado
Ele não sabe separar
O amor de uma amizade

I eu na minha ansiedade
Fui logo contar pra ela a novidade
Contei pra ela
Que estou por ela apaixonado
E que vivo com o coração apertado
Louco de amor por ela
E pra minha surpresa
Ela me disse com firmeza
Me disse pra tomar cuidado
Que a coisa não é bem assim

Que o que ela sente por mim
Não passa de uma bela amizade
Pobre coração esta agora desolado
Sem saber o que fazer
Pra continuar essa amizade
Quase morro de vergonha
Fiquei com cara de pamonha
Expondo-me desse jeito
Mas eu sou o tipo do sujeito
Que quando me apaixono
Quero entregar logo esse amor
Seja a que preço for

Talvez ela não saiba
Que palavras de amor
Só tem mesmo valor
Pra quem ama de verdade
Mas ainda tenho esperança
De quando ela estiver sozinha
No silêncio do seu quarto
Ela possa se lembrar e refletir
Da confissão que lhe fiz
E possa reconsiderar
E venha me fazer feliz

Registro:22836822d120713h162235_m1
  Autor: Geraldopsouza

O mendigo

Todos os dias na minha rotina
Sempre nessa mesma esquina
Parado no farol vermelho
Olho a minha volta e vejo
Uma sena tão comum nessa cidade
Mas que chama a minha atenção

Na calçada vejo um mendigo
De aparência ainda jovem
Mendigando alguns trocados
Ou um pedaço de pão
Que nem precisa ser amanteigado

Sentado ali naquele chão
Ele mas parece um cão
Sua aparência tão sofrida
Seu semblante abatido
Seu olhar triste e perdido
Sem nenhuma direção
Cabelos desalinhados
Corpo sujo e maltrapilho
Sua pele não tem brilho

Olho pra esse mendigo
Imagino até o que ele sente
Se sente no mundo sozinho
Sem amor sem carinho
Com as esperanças perdidas
Sem um caminho pra seguir
Só lhe resta ficar ali

No fundo ele até tem razão
Quando todo esse povo ele vê
Passando por ele apressado
E ninguém lhe estende a mão
Pra lhe dar alguns trocados
Ou um pedaço de pão

Nessas horas ele vê
Um filme do seu passado
Passando na sua mente
Se lembra do tempo
Que as pessoas lhe viam como gente
Pois ele também trabalhava
E andava assim apressado

Hoje essas lembranças
Fazem parte do seu passado
Mas mesmo assim ele persiste
Na sua luta e não desiste
Pois esta é a sua sina
Sua luta pra fugir da morte
Esse coitado não teve a sorte
De fugir desse destino
Quem sabe desde menino
Que a sua vida é assim


  Autor: Geraldopsouza
Registro: 22836823d120713h162553_m1

O toque dos telefones

Meu telefone tocou insistentemente
Quando atendi
Uma voz de mulher me dizia
Alô, Alô quem fala? Alô quem fala?
Alô, quem fala sou eu                                                         
Foi o meu que tocou primeiro
E não o seu
Engano seu                                      
Foi o meu que tocou primeiro      
E não o seu                                       
Sendo assim
Já sei o que aconteceu
Se não foi o meu e nem o seu
Então foi o nosso destino
Querendo unir a gente
Você já ouviu falar em almas gêmeas?
São duas áureas querendo se encontrar
Vamos dar uma chance pra gente
Encontre-me no lugar que vou marcar
Precisamos muito nos encontrar

Com certeza vou estar lá a te esperar
Só me diga com que roupa vai esta
Eu não quero correr o risco de errar
Eu preciso mesmo encontrar
Um alguém que eu queira amar
E esse alguém queira me amar também
Alô, alô você ainda esta me ouvindo
Esta tão calada não diz nada
Parece não estar ai
Diga ao menos que vai ao meu encontro
E com que roupa vai esta

Alô pode falar estou te ouvindo
E tão gostoso te ouvir, a sua voz e tão suave                               
Nem da vontade de falar                                        
Olha não se esqueça de por na sua agenda
O número do meu celular
Que eu vou por o seu aqui também
Olha se você não me ligou
Se eu não te liguei também
E os nossos telefones tocaram
No mesmo instante e a gente se falou

Tenho certeza que foi milagre de Deus
Querendo unir a gente
Eu acredito que Deus faz mesmo milagres assim
Minha áurea querendo a sua
E a sua querendo a minha
Venha vamos atender a Deus
Venha ao meu encontro
Com certeza vou estar lá a te esperar
Só me diga com que roupa vai esta


   Autor: Geraldopsouza